Formação
Tecnologia Rocha ao Serviço da Citricultura Algarvia
A citricultura constitui um dos pilares da agricultura algarvia, desempenhando um papel determinante na economia regional, na criação de emprego e na valorização do território. Graças às condições edafoclimáticas privilegiadas da região, o Algarve afirma-se como a principal zona produtora de citrinos em Portugal, representando, habitualmente, cerca de 85% da produção nacional, com um volume anual a ultrapassar as 335 mil toneladas, nas melhores campanhas e aproximadamente três quartos da área cultivada do país.
O clima mediterrânico, caracterizado por invernos amenos, verões quentes e mais de 3.000 horas de sol por ano, aliado à experiência dos produtores e à crescente modernização das explorações, proporciona condições ideais para a produção de frutos de elevada qualidade.
A laranja domina claramente a produção regional, representando cerca de 84% do total, destacando-se variedades como Newhall, Lane Late e Valencia Late. Seguem-se as tangerinas e clementinas, com aproximadamente 8% da produção, os limões com cerca de 7% e, em menor expressão, outros citrinos como limas e toranjas.
A excelência dos frutos produzidos é reconhecida pela certificação "Citrinos do Algarve – Indicação Geográfica Protegida (IGP)", um selo que garante a origem e certifica características distintivas como a casca fina e brilhante, o elevado teor de sumo e o equilíbrio entre doçura e acidez que tornam os citrinos algarvios amplamente reconhecidos nos mercados nacional e internacional.
O setor encontra-se fortemente organizado através de cooperativas e organizações de produtores responsáveis pelo acondicionamento, transformação, embalamento, comercialização e valorização da produção. Embora uma parte significativa da colheita seja absorvida pelo mercado nacional, a exportação assume um peso crescente, tendo a França consolidado a sua posição como um dos principais destinos, a par da procura crescente de mercados como Espanha e Alemanha, entre outros. Paralelamente, mercados extracomunitários, como o Canadá, representam oportunidades estratégicas de diversificação para os produtores nacionais.

Os desafios da citricultura moderna
Apesar da sua importância económica, a citricultura enfrenta atualmente desafios de elevada complexidade que exigem uma adaptação constante das explorações agrícolas.
A escassez de recursos hídricos constitui, provavelmente, o maior desafio estrutural para o futuro da produção de citrinos no Algarve. A sucessão de anos secos e a redução das reservas das albufeiras obrigam os produtores a gerir a água de forma cada vez mais eficiente, procurando maximizar a produtividade de cada metro cúbico utilizado.
Paralelamente, as alterações climáticas introduzem novos desafios relacionados com episódios de temperaturas extremas, maior irregularidade da precipitação e alterações no comportamento de diversas pragas e doenças.
No plano fitossanitário, a Mosca-da-Fruta continua a ser uma das principais pragas da cultura, exigindo estratégias de monitorização e controlo rigorosas. Em simultâneo, Portugal mantém uma vigilância permanente relativamente à Psila Africana (Trioza erytreae), inseto vetor da bactéria associada ao Huanglongbing (HLB), também conhecido como Citrus Greening, considerado uma das doenças mais destrutivas da citricultura mundial.
A estes desafios acresce o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, fertilizantes, produtos fitofarmacêuticos e mão de obra, fatores que pressionam significativamente a rentabilidade das explorações.
A inovação como resposta
Perante esta realidade, a citricultura algarvia tem vindo a acelerar a adoção de sistemas de maneio com inovações cada vez mais tecnológicas que permitem produzir mais, com maior eficiência e menor impacto ambiental.
Os sistemas de rega localizada, em particular a rega gota-a-gota, aliados a sensores de humidade do solo, estações meteorológicas e ferramentas de apoio à decisão, permitem uma gestão muito mais eficiente da água disponível, reduzindo desperdícios e otimizando o desenvolvimento das árvores.
Em paralelo, investimentos estruturantes, previstos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a região, como a dessalinização, a melhoria da eficiência das infraestruturas hidráulicas e o reforço das interligações entre sistemas de abastecimento de água, constituem fatores determinantes para aumentar a resiliência hídrica da agricultura algarvia nos próximos anos.
Também ao nível da proteção fitossanitária, a evolução tem sido significativa.
A adoção dos princípios da Proteção Integrada privilegia a monitorização das pragas, a utilização de auxiliares biológicos e a implementação de estratégias preventivas, reduzindo sempre que possível a necessidade de intervenções químicas.
Contudo, quando a aplicação de produtos fitofarmacêuticos se torna imprescindível, a eficácia da pulverização assume um papel determinante.
Mais do que escolher o produto adequado, importa garantir que este é aplicado na dose correta, no momento oportuno e com um equipamento capaz de distribuir uniformemente a calda sobre o alvo biológico, minimizando simultaneamente as perdas por deriva, evaporação ou escorrimento.
Neste contexto, a qualidade do pulverizador deixa de ser apenas uma questão operacional e passa a constituir um fator decisivo para a rentabilidade económica da exploração e para a sustentabilidade ambiental da produção.

A importância da tecnologia de pulverização
As exigências atuais da agricultura moderna vão muito além da simples aplicação de um produto fitofarmacêutico.
A crescente preocupação com a proteção do ambiente, a utilização sustentável dos produtos fitofarmacêuticos e o cumprimento das normas europeias obrigam os produtores a procurar equipamentos capazes de maximizar a eficiência de cada tratamento.
Na citricultura, este desafio é particularmente exigente.
As copas das laranjeiras e tangerineiras apresentam normalmente uma elevada densidade foliar, dificultando a penetração da pulverização até ao interior da árvore. Quando o fluxo de ar não é suficiente ou a distribuição da calda não é uniforme, parte significativa do produto pode ficar retida na zona exterior da copa ou perder-se por deriva e escorrimento, reduzindo a eficácia do tratamento.
A obtenção de uma cobertura homogénea, incluindo a página interior das folhas — local onde frequentemente se instalam diversas pragas — depende diretamente da combinação entre o volume de ar produzido, a sua orientação, a seleção adequada dos bicos de pulverização e a correta regulação do equipamento.
Foi precisamente para responder às exigências específicas da citricultura que a equipa de Investigação e Desenvolvimento da Pulverizadores Rocha trabalhou em estreita colaboração com produtores, técnicos e distribuidores e demais players da região algarvia.
CRONOS LG NVS: desenvolvido para responder às exigências da citricultura
O resultado deste desenvolvimento foi a gama Cronos LG NVS, concebida para responder às características dos pomares modernos de citrinos, conciliando elevada capacidade de penetração da pulverização, redução da deriva, evaporação ou escorrimento, eficiência operacional e respeito pelo ambiente.
Coluna de Ar LG: o ar colocado onde faz diferença
Um dos elementos diferenciadores desta gama são as colunas de ar em formato de lágrima LG, cuja geometria das colunas de ar foi concebida para acompanhar o perfil natural das copas dos citrinos.
Esta configuração permite direcionar o fluxo de ar de forma mais uniforme ao longo da vegetação, favorecendo a penetração da pulverização nas zonas interiores da copa e aumentando a cobertura das superfícies vegetais, incluindo a página interior das folhas, frequentemente utilizada como local de instalação de diversas pragas.
Ao acompanhar o contorno das árvores, as colunas LG contribuem igualmente para minimizar o contacto mecânico com os ramos, flores e frutos, reduzindo o risco de danos durante a realização dos tratamentos.

Tecnologia NVS: elevado desempenho com elevada eficiência
O coração do Cronos LG NVS é a sua turbina de elevado rendimento.
Dependendo da versão instalada, a tecnologia NVS permite débitos de ar que podem atingir aproximadamente 61 900 m³/h na turbina de Ø 820 mm e 83 800 m³/h na turbina de Ø 920 mm, mantendo simultaneamente uma reduzida absorção de potência do trator (>50 CV - Ø 820 mm e >65 CV - Ø 920 mm) e baixos níveis de ruído operacional (<95 DB).
Nos modelos acoplados estão disponíveis turbinas de Ø 820 mm e de Ø 920 mm, enquanto os modelos rebocados equipam com turbina de Ø 920 mm, ambas dotadas de duas velocidades e ponto morto, permitindo adaptar facilmente o débito de ar às características da cultura e às condições de trabalho.
A hélice, equipada com nove pás, embraiagem centrífuga e pré-distribuidor (defletor) de ar, assegura uma distribuição homogénea do fluxo de ar pelas colunas de pulverização.
Os 18 porta-bicos duplos M62 com sistema antigota, oferecem uma elevada flexibilidade na escolha da configuração de pulverização mais adequada a cada tratamento.
Uma pulverização eficiente começa na escolha dos bicos
Diretamente interligada com a qualidade do pulverizador, a seleção correta dos bicos continua a ser um dos fatores mais importantes para o sucesso de qualquer tratamento fitossanitário.
O objetivo passa por produzir gotas com dimensão adequada ao alvo biológico e às condições meteorológicas, garantindo uma cobertura homogénea da vegetação.
Gotas excessivamente finas são mais suscetíveis à evaporação e à deriva provocada pelo vento, enquanto gotas demasiado grossas tendem a originar escorrimento e menor cobertura das superfícies foliares.
Por esse motivo, a escolha do tipo de bico, do respetivo débito, da pressão de trabalho e da velocidade de avanço deve ser sempre efetuada de acordo com as recomendações do fabricante e com as boas práticas de aplicação de produtos fitofarmacêuticos.
Agricultura de Precisão ao serviço da citricultura
A evolução tecnológica dos pulverizadores Rocha permite hoje integrar soluções de Agricultura 4.0 que aumentam significativamente a eficiência da aplicação.
Entre estas soluções destacam-se os comandos eletrónicos Bravo 180S e Bravo 350S, que ajustam automaticamente a pressão do circuito em função da velocidade de avanço, permitindo manter constante a dose aplicada por hectare, mesmo quando ocorrem variações de velocidade durante o trabalho.
Esta funcionalidade contribui para uma maior uniformidade da aplicação e reduz o risco de sobre ou subdosagem.
Sensores ultrassónicos - Sonar
Outra tecnologia particularmente interessante é a utilização de sensores ultrassónicos.
Em pomares jovens, linhas com falhas de plantas ou nas cabeceiras, estes sensores detetam a presença ou ausência da vegetação e comandam automaticamente a abertura ou fecho das secções correspondentes.
Desta forma, a pulverização ocorre apenas quando existe massa foliar, reduzindo consumos de calda, desperdício de produto e impacto ambiental.

Aplicação em Taxa Variável (VRT)
À medida que aumenta a adoção da Agricultura de Precisão, cresce igualmente o interesse pela Aplicação em Taxa Variável (Variable Rate Technology – VRT).
Esta tecnologia permite adaptar automaticamente a quantidade de produto aplicada às necessidades específicas da cultura, recorrendo a mapas de prescrição ou a sensores que caracterizam a variabilidade existente na parcela.
Quando integrada em equipamentos compatíveis com ISOBUS ou com plataformas como o WAATIC, esta funcionalidade permite uma gestão ainda mais eficiente dos tratamentos, promovendo uma utilização mais racional dos fatores de produção.
Capacidade adaptada a qualquer exploração
O Cronos LG NVS encontra-se disponível numa vasta gama de capacidades, permitindo responder às necessidades de diferentes tipos de exploração agrícola, adequando-se à dimensão da exploração e à autonomia de trabalho pretendida, reduzindo o número de paragens para reabastecimento e aumentando a produtividade diária.
Nos modelos acoplados estão disponíveis depósitos entre 600 e 1 200 litros, enquanto os modelos rebocados abrangem capacidades entre 1 000 e 4 000 litros.
Opcionais que fazem a diferença
A versatilidade da gama Cronos LG NVS é reforçada por um conjunto de opcionais desenvolvidos para responder às diferentes condições de trabalho encontradas nos pomares portugueses.
Nos modelos rebocados, os timões rotativos, disponíveis para engate aos braços do elevador ou à boca de lobo do trator, melhoram significativamente a manobrabilidade em cabeceiras curtas, reduzindo o raio de viragem e facilitando as mudanças de linha.
As rodas 400/60 R15.3, equipadas com piso de tração, aumentam a estabilidade do conjunto, reduzem a compactação do solo e melhoram o desempenho em terrenos mais húmidos.
Sempre que as condições de trabalho o justificam, o sistema de travagem hidráulica constitui um importante complemento de segurança, particularmente em explorações com declives acentuados ou quando são utilizados tratores de menor peso.

Preparação e manutenção da calda
A eficiência de um tratamento depende igualmente da correta preparação da calda.
Por esse motivo, o Cronos LG NVS pode ser equipado com um kit pré-misturador, que facilita a incorporação dos produtos fitofarmacêuticos antes da sua entrada no depósito principal, promovendo uma mistura mais segura e homogénea.
Para manter a suspensão dos produtos durante todo o tratamento, encontram-se igualmente disponíveis sistemas de agitação reforçada, incluindo o sistema Euromix, especialmente indicado para formulações que exigem uma elevada homogeneização.
Complementarmente, o depósito independente destinado à lavagem do circuito permite realizar a limpeza do equipamento de forma simples e eficaz, contribuindo para uma correta manutenção do pulverizador e para o cumprimento das boas práticas agrícolas e ambientais.
Em prol de uma agricultura mais sustentável
A agricultura moderna exige equipamentos cada vez mais eficientes, capazes de conciliar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade. A preservação do meio ambiente e o cumprimento das normas europeias de segurança — pilares fundamentais para a certificação (IGP) são as premissas da Pulverizadores Rocha. Mais do que fornecer equipamentos, a Pulverizadores Rocha disponibiliza o apoio da sua equipa técnico-comercial na configuração da solução mais adequada às características de cada exploração, contribuindo para que cada produtor possa tirar o máximo partido da tecnologia de pulverização para produzir mais e melhor, utilizando os recursos de forma responsável e protegendo o ambiente para as gerações futuras.